Revolução Francesa é palco de episódio da série exclusivo para máquinas de nova geração, .As missões confiadas a um assassino não contemplam negociações. De rosto coberto, ágil, sangue frio nas veias e mentalmente preparado, ou morre a executar a missão ou cumpre exactamente o plano como proposto, lançando-se de seguida no banho de multidão até se lhe perder por completo o rasto. Quando em 2008 a Ubisoft lançou o primeiro Assassin's Creed, as propostas do género existentes abarcavam elementos típicos da espionagem, acção, desenvolvimento de tácticas e forte interacção. Mas ao ligar o jogo a eventos históricos e personagens concretas, conciliando ficção com factos históricos relevantes, a Ubisoft acrescentou uma estrutura narrativa capaz de ir bem mais longe do que a mera ficção. A possibilidade de viajar no tempo até capitais antigas, diferentes civilizações, conflitos e momentos cruciais não só colocou a História no centro dos seus jogos como atribuiu um desenvolvimento paralelo à luta entre assassinos e templários.
Os sistemas de combate e actuação furtiva aprofundaram a experiência, enquanto outra marca da série, a navegação por telhados dos edifícios e coberturas, entre saltos e escaladas rápidas, brindava o jogador com um sistema "parkour" adequado a possibilitar fugas nos mais diferentes sentidos, como se o assassino fosse não apenas um valente lutador mas também um ágil trapezista, capaz de andar sobre cordas esticadas e descansar nos bicos dos telhados, engendrando o próximo assassinato.
Durante sete anos a Ubisoft editou sete diferentes jogos de Assassin's Creed da linha principal, recorrendo à mesma fórmula mas sempre com diferentes contextos narrativos e períodos da história. A eventual saturação do modelo, nestas edições anuais, sobretudo nas consolas da geração passada foi no entanto minimizada por constantes ajustes e melhoramentos, adequados a refrescar os conteúdos. Áreas mais abrangentes, como mundos abertos, ganharam uma particular dimensão em Assassin's Creed III e o ano passado em Black Flag essa evolução foi decisiva.
O mais surpreendente é o processo de engenharia e funcionamento de uma produção de grande escala. Com Assassin's Creed Unity (Unity), a Ubisoft Montreal precisou de quatro anos até materializar a incursão na revolução francesa, apresentando Paris no final do século XVIII, numa escala e dimensão notáveis, começando no período imediatamente anterior à revolução, quando se adivinhava a grande revolução que teve como efeito a execução do rei Luís XVI, o fim dos privilégios da nobreza e clero. Um ano depois dos mares e ilhas paradisíacas, a entrada no coração da Europa vem ao encontro de um modelo mais tradicional e familiar para os fãs. Paris do século XVIII é maior que a soma de todas as ilhas de AC: Black Flag e esse é um feito conseguido à custa de uma conjugação, trabalho e coordenação entre dez estúdios da editora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário